O capitalismo é estruturado a partir de um amplo sistema de intercâmbios, em que a mobilidade de pessoas, ideias e mercadorias depende de infraestruturas (ferrovias, portos, pontes, canais, vias etc.) que realizam as mediações dos processos de circulação social. Das projeções da Estação La Ciotat na França e da Estação Masaryk em Praga, nos anos 1890, aos ramais ferroviários que cruzavam os vazios do interior brasileiro, os Andes peruanos e a densa floresta de Padalarang na Indonésia, nos anos 1920, o livro cadencia os diferentes contextos de integração da infraestrutura moderna à paisagem, sem perder, no entanto, uma visão de totalidade costurada pelas dinâmicas socioculturais que percorreram, de ponta a ponta, os circuitos de produção social. No caso brasileiro, a conjuntura assinalou um momento decisivo para a incorporação do substrato industrial, estruturando desafios para o desenvolvimento e novos arranjos socioculturais nas capitais e no interior. Além de desvelar os crescentes efeitos antrópicos sobre a paisagem, a infraestrutura construiu modos de sociabilidade que pressionaram comportamentos individuais diante da aceleração e das incertezas da modernidade.