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Desde quando existe um modelo de gay viável e aceito na sociedade? Quando foi que o paradigma do gay padrão se tornou normativo? Que processo histórico tornou isso possível? Este livro analisa e mostra como esse fenômeno ocorrido no Brasil entre as décadas de 1980 e 1990, com suas conexões globais, produziu uma norma que passou a orientar a forma como os gays deveriam ser. Posteriormente, passou a normalizar esses sujeitos. Essa construção se deu em meio ao fim da Ditadura Militar, à despatologização da homossexualidade, ao crescimento da visibilidade de homossexuais nas mídias e sociedade, à epidemia do HIV-aids, à objetificação do corpo masculino e à valorização de sua virilidade muscular, além da sua captura pelo mercado de consumo em tempos neoliberais. O biotipo físico foi apenas uma das alterações que fez parte de um conjunto de transformações subjetivas que marcaram a aparição de um novo tipo de gay: cisgênero, discreto, musculoso, vaidoso, consumista, despolitizado, mais aceito pela sociedade ao reproduzir o regime que o produziu: a cisheteronormatividade. Esse modelo tornou-se o objeto do desejo erótico mais enaltecido e visado para um flerte, além de despertar o interesse de muitos em alcançar esse ideal. Não, é claro, sem enfrentar resistências e muitas críticas. As décadas do novo milênio indicam que o modelo normativo do gay padrão permanece ocupando uma posição de destaque e privilégio na hierarquia simbólica da comunidade LGBT+. É essa história que você está sendo convidado a conhecer.