Entre os anos de 1952 e 1953, o enlace de Diacuí Canualo Aiwute (? – 1953), indígena da etnia Kalapálo, e Ayres Câmara Cunha (1915 – 1997), sertanista gaúcho da Expedição Roncador-Xingu, ganhou notoriedade a partir das enérgicas discussões dispostas na imprensa brasileira. O casal tornou-se personagem de uma aventura nacional: o caso de amor interétnico configurou-se em uma pauta inédita em queetnólogos, antropólogos, indigenistas, políticos, jornalistas e civis participaram dos debates sobre o “Casa ou Não Casa?” estampado em jornais e revistas. Nessa trama, Diacuí foi retratada como uma modelo para o projeto de desenvolvimento nacional: enquanto mulher, foi representada a partir da ratificação dos ideais presentes na tríade esposa, mãe e dona de casa; e, enquanto indígena, esteve inscrita em disputas ideológicas sobre como “integrar” e “civilizar” estes sujeitos. Este livro parte do aparato teórico-metodológico da história cultural para investigar as construções em torno da personagem Diacuí Canualo Aiwute encontradas na revista O Cruzeiro e no livro Entre os índios do Xingu: a verdadeira história de Diacuí, escrito por Ayres Câmara Cunha em 1960. Assim, nos dedicamos às análises das representações sobre a personagem dispostas nas referidas fontes de modo a abarcar as disputas político-ideológicas em torno deste enredo, como foi compreendida enquanto mulher e indígena e a importância obtida para o contexto do Brasil entre 1943 e 1960.