O livro analisa a intervenção do Estado na Amazônia por meio de políticas de desenvolvimento agrário, focando na formação socioeconômica e fundiária do município de Tomé-Açu. Impulsionados pelo discurso de que a floresta era um ambiente hostil e de “vazio demográfico”, governos brasileiros, da Era Vargas à Ditadura Militar, criaram agências como SPVEA e SUDAM para substituir o extrativismo por uma agricultura capitalista. O maior exemplo dessa política foi a colonização japonesa em Tomé-Açu, onde os imigrantes, amplamente apoiados por infraestrutura estatal, crédito e pelo cooperativismo, prosperaram com o cultivo da pimenta-do-reino e do cacau, consolidando-se como uma elite rural. Em contrapartida, a obra discute o contraste social da região, pontuando que enquanto a elite nipônica e grandes empresários eram favorecidos, os agricultores nacionais e migrantes nordestinos foram marginalizados pela burocracia e pela total falta de serviços públicos básicos. O autor demonstra que projetos de financiamento, como o PROTERRA, acabaram privilegiando grandes latifundiários e a agroindústria, o que serviu como mecanismo de exclusão, intensificando os conflitos por terra e consolidando a desigualdade social na Amazônia.