Dentro da lógica colonial, a montagem de uma estrutura produtiva voltada para atender a demanda do mercado externo, exigia a conquista do território e a exploração da população escravizada. Neste processo, que acabaria por levar a formação do Brasil, os grandes “portos atlânticos” vão ocupar um papel estratégico, ponto de articulação e de enfrentamento entre a administração metropolitana, o poder local e os grandes interesses econômicos. Como Thiago Alves Dias nos mostra, os grandes portos eram o centro de uma “região colonial”, que, para além dos limites administrativos ou jurisdicionais, permitia que tanto o representante régio, bem como as elites coloniais exercessem umapreeminência política sobre vasta região. Eram também o centro econômico, favorecido pelo controle regional dos fluxos mercantis, permitindo que os grupos mercantis reinóis ali instalados exercessem um “monopólio indireto” sobre a região, beneficiando-se dos mecanismos do Antigo Sistema Colonial. Parafraseando uma velha frase, podemos dizer que a História de Pernambuco é a História do Brasil.
Rodrigo Ricupero, Universidade de São Paulo